Eu já tive um Pedro do BBB 26 na minha vida e aqui vão algumas reflexões a respeito...
- Paula Carolina
- há 6 dias
- 4 min de leitura
Vendo as atitudes do Pedro no BBB 26, lembrei-me do “meu” Pedro: aquele que também não falava coisa com coisa, que dizia uma coisa hoje e outra amanhã e ainda negava o que havia falado e que todo o mundo estava o tempo todo a fim dele...
Aquele que reformulava sua forma de agir conforme a conveniência, que criava cenas, crises e mal entendidos, sempre se colocando como vítima das circunstâncias.
E eu, na minha tentativa genuína de acolher, de compreender, de ser adulta emocionalmente, entrava na dele, escutava, abraçava e o auxiliava a se autosustentar.
Só que depois eu era descartada como lixo.
Enquanto eu tentava construir algo minimamente coerente, ele do nada se mandava para festas regadas a álcool, drogas, noite sem limites, fugas disfarçadas de diversão... e depois que o vazio interno voltava, lá vinham as mensagens chorando, os pedidos de colo e as confissões.
E eu, trouxa que fui (desculpa, “eu do passado”, mas, fui mesmo), acolhia. Houveram até noites de literalmente colo e choros da parte dele. Só que quando ele se sentia novamente “inteiro”, eu deixava de existir para ele.
Houve um dia em que uma amiga dele me procurou e foi ali que tudo se quebrou de vez:
Ela me contou que ele falava HORRORES de mim: mentiras descaradas, distorções de falas minhas, histórias que NUNCA vivemos e atitudes que eu NUNCA tive com ele. Eu não tinha feito NADA daquilo. NADA. E, ainda assim, ali, eu era pintada como uma vilã lunática.
E assim como o Pedro do BBB 26 começou a expor sinais claros de desvios de conduta, descobri através dessa mesma amiga dele, comportamentos que acendem graves alertas.
Eu não posso afirmar nada de forma categórica, pois, eu não estava lá e não vi com meus olhos, mas, o que foi me confidenciado por ela: as atitudes longe de mim, os relatos de invasões, insistências, ultrapassagens de limites, eu acredito e meu corpo já me avisava, mas, eu ignorei os sinais. Tudo isso apontava para um padrão preocupante.
A partir dali tudo ficou mais claro: entendi aquela confusão mental, aquelas falas contraditórias, aquela vitimização constante, o descarte após acolhimento, o uso de sunstâncias, o choro depois da fuga...
Homens assim costumam operar em zonas cinzentas: não gritam e nem se colocam como monstros. Eles distorcem, confundem, criam narrativas e se colocam como frágeis, justamente para atravessar os limites alheios.
E isso é especialmente perigoso para nós, mulheres empáticas, maduras, acolhedoras... porque a nossa escuta e compreensão vira permissão aos olhos deles.
Esse tipo de homem não só fere: ele busca distorcer a realidade para justificar a própria covardia.
E isso desorganiza profundamente quem está do outro lado. E não é culpa nossa. É sobre algo que vem de antes de nós.
Ele, por exemplo, era um homem atravessado por abandonos profundos de pai e mãe, carregando buracos emocionais que ele nunca tratou de verdade.
Havia, também, uma questão estética, uma insegurança com a própria imagem, bem semelhante à do Pedro do BBB 26. E isso nunca foi problema para mim: eu não havia o escolhido pelo invólucro. Eu via além.
E ainda assim, fui descartada.
Depois, estudando bastante e tendo clientes homens com questões parecidas, percebi que homens assim não descartam por falta de afeto recebido na relação e sim porque não suportam a intimidade de quem aceita os ver por inteiros, pois, quando alguém os acolhe por inteiro, escuta demais, permanece demais, a pessoa vira espelho. E espelho assusta quem vive fugindo de si.
E eu sei: esse tipo de descarte dói.
Dpoi porque ele não vem depois do conflito e sim depois do cuidado. E isso é traumático e faz a gente repensar uma série de coisas sobre afetos. Eu sei como é.
Então, se você já esteve nesse lugar de ser abrigo de alguém que vive em ruína emocional e sofreu descarte, saiba que você não falhou. O que te descartou não foi a sua falta, mas, sim, a incapacidade dele de sustentar aquilo que ele recebeu. Não é sobre você.
E se você já sentiu que algo não fechava, que havia algum desconforto difícil de explicar, uma sensação de alerta no corpo que você tentou racionalizar e não conseguiu, inerente à alguém com quem você se relaciona, confie nisso, pois, o corpo percebe antes da mente. Eu sentia. Eu respirava melhor quando ele ia embora, por exemplo.
E o motivo pelo qual atraí essa relação? Vixe... uma série de razões, inclusive algo que eu não fazia ideia que existisse: um padrão familiar que se repetia entre as mulheres, pedindo socorro para ser visto. Ninguém falava sobre ele e eu fui falar depois disso.
Vi o que não era meu para deixar de carregar, vi o que vinha antes de mim, vi o que se repetiu através dele e vi o que foi possível emergir que estava no meu interior, engatilhado por essa relação.
E, por fim, ali aprendi sobretudo que não estou aqui para salvar o outro. Não sou oficina de reparação de traumas alheios em relações, nem abrigo para quem se recusa a evoluir como pessoa.
Ter empatia não é se autoabandonar e nem salvar o outro a todo custo.
Hoje, eu consigo ser grata pela passagem desse rapaz na minha vida.
Não porque foi fácil, mas, porque foi revelador, porque me devolvi para mim mesma, porque encerrei ciclos que estavam abertos e porque aprendi a reconhecer limites, inclusive os meus, ali.
Daqui eu sigo. Mais consciente, mais inteira e sem vergonha e sem culpa, na paz, mesmo tendo caído na lábia de um homem assim.
E, se esse texto encontrou você que também precisou sair de uma relação assim mais forte do que entrou: confie e siga! E seguir, aqui, é escolher a sua própria vida. Você merece mais!
Com carinho,
Paula Carolina | FTHBR 44.531.

Comentários