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Relatório Performático do Stand-Up Etérico "Lontra Debochado é o Cupido Debochado - 2ª Edição" :

  • Paula Carolina
  • há 3 dias
  • 3 min de leitura


🎭 Bem-vindos participantes! Irradiados com as luzes de suas centelhas divinas e a guarida de seus amparadores espirituais vibrantes na luz divina, vocês estão conectados agora no palco terapêutico Vibrando na Luz.


Antes mesmo de começar, ninguém sabia muito bem se aquilo era um espetáculo, um atendimento coletivo, uma sessão terapêutica, uma intervenção espiritual ou um protesto bem-humorado contra tudo aquilo que chamaram de amor ao longo da vida.


As cortinas do Palco Terapêutico Vibrando na Luz se abriram lentamente enquanto letreiros em neon rosa anunciavam:


“LONTRA DEBOCHADA É: O CUPIDO DEBOCHADO - Segunda Edição — Verdades Inconvenientes sobre a Vida Amorosa!”


A plateia aplaudiu. Ela não era composta somente pelos participantes, mas, também, por algumas consciências encarnadas e desencarnadas, que, por necessidade e merecimento, se conectaram aqui, já que nossos atendimentos são abertos para o coletivo que necessita, sem interferir no livre arbítrio de ninguém.


Alguns casais deram as mãos, alguns solteiros cruzaram os braços fingindo que estavam ali apenas pela curiosidade, enquanto outros já sentiam um nó discreto na garganta, porque suspeitavam que seriam expostos por uma lontra vestida de cupido, antes mesmo do primeiro ato começar.


A Lontra entrou caminhando devagar pelo palco, com suas pequenas asas tortas, a bandana branca de corações na cabeça, o arco apoiado sobre o ombro e um microfone na mão. 


Ela olhou para o público durante alguns segundos, sem dizer nada, como quem observava histórias escritas em rostos diferentes.


Então sorriu, daquele jeito debochado e acolhedor, ao mesmo tempo e disse:

— Boa noite, queridos!


A plateia respondeu.


— Boa noite!


— Antes de começarmos, preciso esclarecer uma coisa importante, porque algumas pessoas ainda acham que vieram assistir a uma palestra motivacional com frases para colocar no status do WhatsApp…. Não vieram…


Risos.


— Também não é uma cerimônia para ensinar a manifestar o príncipe encantado em sete passos, enquanto você ignora vinte e sete sinais de que ele não sabe nem lavar a própria cueca emocional.

Mais risos.


— E definitivamente não é um tribunal para condenar ex-namorados... embora, dependendo do caso, a vontade exista.


Mais risos e aplausos.


Ela caminha pelo palco.


— Este espetáculo nasceu porque existem mentiras coletivas que atravessam gerações inteiras: de que sofrer é prova de amor, de que insistir até perder a dignidade é romantismo, de que ser escolhida por alguém vale mais do que escolher a si mesma, e, de que ficar sozinho é fracasso.


Algumas pessoas desviaram o olhar, outras começaram a chorar discretamente.


A Lontra aponta para a plateia.:


— Quantos aqui já confundiram ansiedade com conexão espiritual?


Quase todas as mãos se levantaram.


— Quantos já chamaram indisponibilidade emocional de mistério?


Mais mãos.


— Quantos já disseram "eu consigo mudar essa pessoa"?


A essa altura, até alguns espíritos desencarnados presentes, que estavam ali a trabalho, levantaram a mão, provocando gargalhadas gerais.


— Pronto. Temos material suficiente para pelo menos cinco temporadas.


Ela então mudou o tom da voz. Não perdeu o humor, mas, exarou algo mais profundo:


— Porque este stand-up não é pra rir do amor e sim das ilusões que colocaram em volta dele, até esquecermos como ele realmente se parece.


As luzes diminuíram.


No telão surgiram imagens metafóricas de cartas rasgadas, alianças abandonadas, flores secas transformando-se em jardins, mensagens nunca enviadas e retratos antigos sendo dissolvidos em estrelas.


— Aqui nós vamos falar sobre carência sem humilhação, sobre desejo sem culpa, sobre autoestima sem arrogância e vaidade, sobre solidão sem desespero e sobre relacionamentos sem máscaras. Vamos olhar para os padrões repetitivos que se disfarçam de destino, para os vínculos que confundimos com almas gêmeas e para as histórias que contamos para justificar aquilo que, no fundo, já sabemos que nos machuca.


Ela levou o microfone ao peito.


— E também vamos falar sobre magia.


O público silenciou.


— Porque há feridas emocionais que precisam apenas de consciência, há padrões familiares que precisam de coragem para serem interrompidos e há experiências espirituais que deixam marcas tão profundas, que a alma passa a acreditar que nasceu para ser abandonada e usada, sem ser digna de amor verdadeiro.


Uma chama dourada aparece nas mãos da Lontra.


— Por isso, nesta segunda edição, a egrégora da Magia Divina também estará neste palco, para iluminar aquilo que foi escondido pelo medo, desfazer aquilo que aprisiona pelo sofrimento e devolver movimento ao que ficou congelado dentro do coração de cada um.


A Lontra Debochada sentou-se na beirada do palco com o microfone desligado por alguns segundos.


Os participantes eram poucos, e, justamente por isso, cada história ocupava espaço suficiente para ser ouvida, sem precisar disputar atenção.


E, daqui em diante, somente que contribuiu para participar terá acesso. O arquivo pode ser baixado nesse link, com a senha que cada um recebeu no ingresso: https://drive.google.com/file/d/1py8FPVfiwdpaZPYctDcL6rS3JBpzK3sh/view?usp=drive_link


Espero que gostem, e, até o próximo espetáculo!


Com carinho,

Paula Carolina.

FTHBR 44.531

 
 
 

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